Watchmen | An Almost Religious Awe – S01E07

Watchmen | An Almost Religious Awe – S01E07

2 de dezembro de 2019

15minutos de leitura

Chegando mais próximo de sua conclusão, a primeira temporada de Watchmen vem mostrando como é capaz de mesclar o material original de Alan Moore com seus derivados pela DC Comics e o longa de Zack Snyder, mas criando algo novo e impactante. Em An Almost Religious Awe, sétimo episódio da temporada, Angela ainda lida com seu passado, enquanto a investigação de Laurie fica mais arriscada e Adrian Veidt prepara sua defesa. 

As alternâncias entre passado e presente continuam importantes, e se formos considerar as revelações desse episódio, a noção de tempo talvez seja o detalhe que devemos prestar mais atenção. Mas antes de irmos para as teorias e referência, preciso mencionar algumas informações relevantes listadas no PeteyPedia (o site onde o agente Petey cataloga suas evidências). 

A primeira informação é um indício forte da revelação final do episódio: em um arquivo secreto sobre a origem de Sister Night, Petey menciona filmes famosos por parodiar ou homenagear a cultura de super-heróis, e um deles se chama O Superman Negro, uma paródia de Dr. Manhattan. No relatório, também é mencionado um crítico chamado Mr. Ebert, uma referência ao famoso crítico cinematográfico Roger Ebert, que morreu em 2013 mas mantém um legado através de seu site.

Petey termina seu texto dizendo que Will Reeves comprou o cinema onde esteve quando o ataque de Tulsa tomou conta, e vem passando o filme Sister Night desde 2017, quando Angela começou a usar a máscara. Ele menciona o termo “milagre termodinâmico”, algo que Jon dizia nos quadrinhos, mas na série ele provavelmente ouviu de Laurie durante a viagem de carro que fizeram até o Relógio do Milênio alguns episódios atrás. 

O segundo documento, ainda mais estranho, é um relatório médico de 2009, no nome de Calvin Jelani, o marido de Angela. No preenchimento do relatório, podemos ver que Cal apenas conheceu seu pai, que de acordo com ele morreu de um ataque cardíaco e tinha alzheimer, mas quanto à mãe e os avós, nada sabe. Ele também não tem filhos ou irmãos. 

Mas fica mais curioso quando lemos a descrição do médico sobre o estado de Cal, escrevendo que ele foi encontrado por Angela visivelmente confuso, com uma pequena contusão na testa (não mais visível), e agora apresenta lapsos de memória e sintomas de transtorno dissociativo e perda de identidade. Nas anotações finais, diz que o paciente é passivo e quieto, e gostou muito de um boneco de Dr. Manhattan que estava na sala de consulta. 

Se você terminou esse episódio na dúvida, o PeteyPedia com certeza deixou as coisas mais claras. Então, vamos para…

Sob o Capuz: Referências e Teorias (SPOILERS)

  • O episódio abre com um documentário sobre a origem de Jon Osterman, que viria a se tornar Dr. Manhattan, e seu envolvimento na guerra do Vietnam. É revelada uma imagem de Jon quando criança, além da calçada onde a loja de seu pai ficava, além de seu impacto cultural, criando a bateria de lítio capaz de manter a energia renovável que Veidt tanto almejava. É logo em seguida que temos o primeiro vislumbre de Manhattan atuando na guerra.

    A câmera se distancia do documentário, revelando uma locadora em Saigon, onde uma jovem Angela Abar tenta comprar um filme da onda blaxploitation chamado Sister Night, o que deixa clara a principal inspiração da personagem para seu alter ego fantasiado. Entre os filmes da locadora também temos uma adaptação do livro Fogdancing, escrito por Max Shea, um personagem da HQ que também é responsável por escrever várias edições do quadrinho Cargueiro Negro.

    Nas ruas de Saigon, Angela caminha ao som de Living in America, de James Brown, entre as pessoas fantasiadas de Manhattan durante uma comemoração do “herói”, e fica assistindo uma pequena apresentação envolvendo um fantoche do cientista azul. Essa imagem faz referência a um diálogo nos quadrinhos entre Jon e Laurie, onde ele comenta como todos somos fantoches, mas ele consegue ver suas cordas. Isso também pode ser uma alusão visual à capa da oitava edição do quadrinho The Doomsday Clock, a mais recente tentativa da DC em inserir Watchmen no seu universo padrão. 
  • Voltamos ao presente, onde Angela continua seu tratamento para tirar os resíduos de Nostalgia da sua corrente sanguínea e de seu cérebro. Lady Trieu e ela conversam bastante sobre o verdadeiro propósito do Relógio do Milênio, o que descobrimos no fim do episódio. Mas o que eu quero ressaltar aqui é uma outra referência aos quadrinhos, mais voltada para sua iconografia, com a personagem Bian fazendo um teste de empatia com Angela usando cartões, o que é bem similar ao tratamento de Rorschach pelo Dr. Malcolm Long na HQ. Na cena, Angela lembra quando começou a sonhar em trabalhar na polícia.

    Nesse ínterim, Pirate Jenny e Red Scare ficam de tocaia esperando por Angela, enquanto Cal tenta visitá-la, mas é barrado na entrada. Cortamos para Petey, que investiga o bunker de Looking Glass e encontra o grupo da Kavalaria que tentou pegá-lo de surpresa, mas não contavam com a inteligência do personagem. Além disso, Laurie visita a Sra. Crawford e acaba capturada pela Kavalaria. 
Watchmen
  • Agora, para o “365º dia em julgamento do Povo contra Adrian Veidt”. Adrian espera pelo Guarda, que agora atua como o juiz de seu caso. A Madame Promotora é, obviamente, uma das várias Sra. Crookshanks, e através de sua apresentação para o júri, o público que não tem afinidade com os quadrinhos pode descobrir ainda mais informações sobre o plano de Veidt que causou o clímax da HQ, envolvendo a lula gigante e o assassinato de milhões de pessoas.

    Quando o juiz percebe que os clones presentes não podem julgar Adrian por seus atos, pede para que tragam uma vara de porcos para definir o destino do acusado, que é declarado culpado. A cena é bizarra, como todas envolvendo o personagem, e parece ter saído direto do filme Chinatown, onde um pastor invade um tribunal com suas ovelhas (essa provavelmente não é uma referência, mas lembrei na hora). O mais curioso da cena, na verdade, é que Adrian parece realmente decepcionado pelo resultado do julgamento, o que é estranho considerando como ele parecia ter tudo ensaiado e sob controle o tempo inteiro. 
  • Angela procura por seu avô, mas acaba encontrando o que não deveria, mas parece estar cada vez mais perto da verdade. Descobrimos o destino de Laurie, que vai parar no esconderijo da Kavalaria. Lá, o senador Keene começa seu discurso sobre uma América cada vez mais “distante de suas origens” e como “é extremamente difícil ser um homem branco na América agora” ¬¬’. Laurie revira os olhos para os comentários idiotas do senador, mas não deixa de ficar preocupada com o verdadeiro plano da Kavalaria: capturar Dr Manhattan e transformar os membros supremacistas em novos “deuses”, assim como Jon
  • Mais uma volta ao passado, dessa vez temos o retorno de June, a ex-esposa de Will e avó de Angela. Assistimos June tirando Angela do orfanato e prometendo uma vida diferente para a criança, mas para continuar a onda de desgraça na vida da personagem, a idosa colapsa no meio da rua assim que pede um táxi para levar a menina para casa.

    Angela se desconecta dos cabos que Lady Trieu estava usando para drenar a Nostalgia de Angela e colocar em um elefante (?). Essa cena é indicada no começo do episódio, quando entre os filmes da locadora em Saigon, há uma fita de um desenho animado chamado Trunky, sobre um bebê elefante. Agora não lembro de elefantes nos quadrinhos, a não ser que você considere a logo do restaurante de comida indiana Gunga Dinner, que é basicamente um elefante rosa. Rorschach vivia comendo lá.

    Investigando o Relógio do Milênio, Angela encontra uma sala escura onde Lady Trieu guarda todas as gravações de todas as caixas telefônicas que espalhou pelo mundo para que as pessoas pudessem mandar suas orações para o Dr. Manhattan. Além da referência visual aos quadrinhos, no qual Adrian e Manhattan conversam separados por um globo, a conversa entre Trieu e Angela traz a maior revelação da temporada, de que Jon está entre nós, caminhando em Tulsa. Isso não parece impressionar Angela, que vai embora. 
  • Chegando em casa, Angela conversa com Cal, e temos a reviravolta de que seu marido era esse tempo todo o próprio Dr. Manhattan, ou um representação dele, já que nos quadrinhos o personagem diz que no futuro pretende criar novas formas de vida. Angela acerta a cabeça de Cal com um martelo e retira de lá um pequeno símbolo de hidrogênio, o mesmo que Manhattan carrega desenhado em sua testa.

    Enquanto assistia, imaginei que Cal fosse apenas uma pessoa criada por Manhattan e que Angela estivesse falando com ele através do marido, mas se observarmos com atenção, no reflexo do olhar de Angela, podemos ver a silhueta de Cal, agora brilhando com uma forte luz azul, se levantando do chão lentamente, confirmando que ele é na verdade o próprio cientista. 

Você esperava por essa reviravolta?
Em retrospecto, agora faz ainda mais sentido não termos revelações sobre o tal “acidente” de Cal, ou porque o casal não teve filhos biológicos, e coloca bastante sentido na cena em que Laurie comenta para Angela sobre uma visita que fez a sua casa e achou Cal “interessante”. Parece que a série foi mais esperta do que eu imaginei (coloquei todas as minhas fichas no garoto Topher, que estava literalmente fazendo uma construção igual a do Manhattan em um episódio), e estou adorando o caminho que ela está tomando.

Semana que vem tem mais. Faltam apenas dois episódios.
Nos vemos em breve.
Tic. Toc. Tic. Toc.

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