A Outra Terra (2011) | Fugindo do passado

A Outra Terra (2011) | Fugindo do passado

22 de agosto de 2019

2minutos de leitura

Brit Marling é conhecida por tentar manter a mesma equipe criativa em seus projetos. A roteirista e atriz esteve em todos os filmes de Zal Batmanglij, co-escrevendo longas como A Seita Misteriosa e a excelente série The OA. Mas outra colaboração que rendeu ótimos filmes foi ao lado de Mike Cahill, com quem Brit já namorava há alguns anos. Em 2011, os dois escreveram A Outra Terra (Another Earth), um filme de baixo orçamento mas bastante criativo, com a direção de Cahill. Como a maioria das criações dela, o longa é carregado de elementos de ficção científica, mesmo que de maneira sutil.

Rhoda Williams (Brit Marling) foi aceita no MIT, e para comemorar passa a noite se divertindo com amigos. Na mesma noite, um planeta similar ao nosso surge nos céus e é chamado de Terra 2. Distraída com o fenômeno, Rhoda não percebe quando bate seu carro em outro, resultando na morte do filho e da esposa grávida do compositor John Burroughs (William Mapother). Quatro anos depois, ela sai da prisão e retorna para a casa dos pais. Fica difícil aceitar a vida, então decide se inscrever em um concurso que levará alguém para a Terra 2, mas antes precisa confrontar o homem cuja vida ela destruiu.

A premissa é instigante, mas é a execução que realmente chama a atenção. Uma solução inteligente do roteiro foi jamais permitir que chegássemos ao outro planeta. Com exceção de uma pequena tomada da protagonista se imaginando em uma cápsula espacial, a totalidade do filme se passa na Terra “original”. A viagem para a Terra 2 é apenas um recurso narrativo, serve como plano de fundo para um drama delicado sobre os traumas da perda de Burroughs e a dificuldade de Rhoda para seguir em frente.

A Outra Terra

Cahill tem uma direção simples e orgânica, com segmentos de câmera na mão, mas sem deixar de lado alguns belos visuais. Há também algumas referências literárias sci-fi fáceis de notar, como uma edição do livro de Fundação, clássico de Isaac Asimov, na mesa de Rhoda. Quanto ao roteiro, temos um enredo com foco nos personagens e alguns bons diálogos, mesmo que as informações sejam reveladas gratuitamente para que a trama não fique travada. Não é algo ruim, mas desnecessário, considerando a inteligência que o filme demonstra.

A Outra Terra é um daqueles filmes pouco apreciados, mas que mereciam bem mais reconhecimento por sabe o que fazer com o orçamento modesto e todas as restrições sem comprometer sua qualidade.

Próximo post:BACURAU | O Poder da HistóriaPost anterior:Gene Roddenberry, o pai de Jornada nas Estrelas

Posts Relacionados

Comentários